ALGUMAS PESSOAS DIZEM QUE “NÃO HÁ PERGUNTAS INCONVENIENTES, MAS SIM RESPOSTAS INCONVENIENTES
- Benjamin Maia

- 26 de jun. de 2021
- 4 min de leitura
Atualizado: 28 de jun. de 2021

Ao presenciar mais uma de uma longa lista de grosserias, descomposturas e agressões do Presidente Bolsonaro a repórteres (principalmente mulheres), a gente se questiona sobre o papel de um ENTREVISTADOR e qual deve ser a postura de um ENTREVISTADO durante uma entrevista. Algumas pessoas dizem que ‘não há perguntas inconvenientes, mas sim respostas inconvenientes’.
Porém é fato que um REPÓRTER não pode se furtar em fazer perguntas difíceis ou inconvenientes para um entrevistado, para não correr risco de ser uma entrevista ‘chapa branca’ (quando se trata de governos) ou compadrio combinado, como vemos em determinadas reportagens.
O Presidente participava de um evento em Guaratinguetá. Ao ser indagado por uma repórter sobre a falta do uso de máscaras, ele explodiu e passou a agredir a repórter (mais de uma vez, e mais uma agressão não apenas aos repórteres, também a seus subordinados). Ao tirar ou não usar a máscara, ele está infringindo uma Lei que ele mesmo sancionou, que obriga o uso de máscara para circular em espaços públicos e privados. Como Presidente da República ele deveria ser o primeiro a se submeter à Lei máxima do país.

A função da imprensa é fazer perguntas. Mesmo as mais inconvenientes que as Autoridades não querem responder devem ser feitas. Não apenas as perguntas que ela gostaria de ouvir.
A mais recente agressão foi essa:
Aqui, você pode acompanhar as diversas agressões de Bolsonaro a profissionais de imprensa que lá estavam para fazer seu trabalho e cumprir seu papel, que é o de levar à população a informação, não isentando de culpa, claro, aqueles profissionais que atuam de forma tendenciosa ou com sabujice junto a seus patrões. Acompanhem abaixo:

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Não há nenhuma dúvida que os avanços da tecnologia impactaram muitas profissões. Em algumas delas, de modo especial, trouxe verdadeiras revoluções. Com a popularização das redes sociais através dos avanços da INTERNET, muitas profissões sofreram mudanças (a maioria para melhor). Uma delas foi o jornalismo, que em muitos aspectos teve que se reinventar para seguir as tendências de comunicação em tempo real.
Por outro lado, neste período de pós-verdades e empoderamento pessoal, mesmo com tanta informação à disposição das pessoas, aumentou significativamente a incidência das chamadas FAKE NEWS e/ou notícias recheadas de meias verdades ou meias mentiras.
Difícil para as pessoas é distinguir uma OPINIÃO PESSOAL de quem posta algo, de uma Opinião Editorial (em inglês OP-Ed – Opinion Editorial Page), que são opiniões de colunistas externos, algumas vezes contrárias à linha editorial, ou mesmo Opiniões Editoriais dos jornalistas que, subordinados aos empregadores, muitas vezes publicam reportagens sem autonomia opinativa ou cerceadas pelas limitações impostas pelos PATRÕES.
Os métodos de apuração dos fatos até a publicação dos mesmos sempre deveriam ser científicos e com embasamento, para conferir autenticidade e seriedade às reportagens e/ou postagens. Mas a prática corrente muitas vezes não é essa. O Jornalismo falado, escrito e televisivo já despertava muitas dúvidas há muito tempo, pela manipulação midiática que sempre existiu. Justamente por não termos em nosso país um jornalismo independente e por existir um FEUDO, onde o controle está nas mãos de poucas pessoas, uma VERDADEIRA MATRIX DO PODER E DO DINHEIRO, o que confere gravidade na divulgação dos fatos, que são feitos menos por interesses jornalísticos, e mais por interesses ECONÔMICO-FINANCEIROS, tendo sempre como personagem principal e como fator agravante, a presença de Governos pouco transparentes ou com viés autoritário.
NOTÍCIAS COMENTADAS – OS DONOS DA MÍDIA NO BRASIL

NOTÍCIAS COMENTADAS – A MATRIX DO PODER E DO DINHEIRO

Tudo isso já foi explicado anteriormente, mas o brasileiro tem um sério problema: MEMÓRIA CURTA para determinados fatos, enquanto parece que outros nunca saem de seu imaginário.
Independentemente de qualquer fato atual ou pretérito, o REPÓRTER é o maior responsável pela publicação de matérias, justamente porque é ele que apura e a compila para publicação. Por tudo isso, ele deveria seguir determinadas regras e princípios para ser um bom repórter. Tal pessoa deve seguir uma cartilha para conferir qualidade, autenticidade e veracidade, em seu trabalho.
As coisas podem até estar bem diferentes para um jornalista dos tempos modernos, comparando-os com os de algumas décadas passadas. O jornalista de hoje precisa estar bem mais antenado e ter capacidade de garimpar e apurar nas diversas fontes de informação a informação correta e mais verdadeira possível, para poder publicá-la e conferir credibilidade à mesma. Mas há métodos que precisam ser seguidos para a prática do bom jornalismo, seja do passado, do presente e do futuro.
Não vou explanar sobre eles, apenas citá-los.
Essencialmente, um bom repórter deve ter:
Curiosidade;
Persistência;
Capacidade de persuasão;
Capacidade de interpretação;
IMPARCIALIDADE;
Experiência de vida;
Escrever e comunicar-se com clareza;
Habilidade com idiomas (Se puder);
Multidisciplinaridade;
Estar sempre conectado e antenado.
Fontes:
NOTÍCIAS COMENTADAS - A MATRIX do PODER e do DINHEIRO
NOTÍCIAS COMENTADAS – OS DONOS DA MÍDIA NO BRASIL
NEUTRALIDADE E IMPARCIALIDADE NO JORNALISMO
O EXERCÍCIO DA ATIVIDADE JORNALÍSTICA NA VISÃO DOS PROFISSIONAIS – SOFRIMENTO E PRAZER NA PERSPECTIVA TEÓRICA DA PSICODINÂMICA DO TRABALHO


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