FILME O POÇO – A DEMONSTRAÇÃO NUA E CRUA DE UMA SOCIEDADE DESIGUAL
- Por: Benjamin Maia
- 29 de mar. de 2020
- 2 min de leitura
“Existem três tipos de pessoas. As de cima, as de baixo e as que caem”
Com essa frase, o filme se inicia. E não há frase mais emblemática neste filme do que esta, principalmente nestes tempos de coronavírus e de isolamentos sociais.
o filme O POÇO, do Diretor Espanhol Galder Gaztelu-Urrutia, é um verdadeiro tratado de sociologia, mostrando os diversos níveis da sociedade humana, sua interação egoísta, seus dramas e desníveis socio-econômicos, suas possíveis e plausíveis soluções através de uma purga espiritual e através de uma necessária mudança de comportamento onde todos que ali estão deveriam compreender que, se cada um comesse apenas o que lhes fosse necessário, não haveriam pessoas passando fome, necessidades, e até, morrendo por causa do egoísmo de quem está nos andares superiores.
O filme implacavelmente mostra até que ponto o ser humano pode se rebaixar para se manter vivo. Mostra também que, as mudanças tão necessárias na vida humana, não se obtém de forma espontânea, de livre vontade de quem está numa situação melhor. Mas somente se forem forçadas, as pessoas compreenderão a importância e a necessidade de serem solidárias.
Diferentemente dos 9 níveis do Inferno, narrado por Dante Alighieri, no livro A Divina Comédia Humana – no filme O Poço, há uma prisão vertical, com 333 níveis, e em cada nível, duas pessoas estão enclausuradas. O número 333 multiplicado por 2, resulta no número 666, que na Bíblia relata como o número da Besta. Lá não tem banho de sol, não tem passeios, não tem recreação. As únicas tarefas são: COMER e SOBREVIVER, para não morrer. Comer, a comida que desce através de uma plataforma flutuante, a partir do nível 0, que vai descendo, parando por 2 minutos em cada nível, onde seus habitantes têm 2 minutos para comer tudo o que podem, também podem decidir não comer, ou simplesmente podem decidir comer apenas o suficiente para si, deixando comida suficiente para alimentar os que estão nos andares inferiores.
Mas enquanto os de cima se fartam, os de baixo ficam com as migalhas, ou praticamente nada. No filme, há um rodízio a cada 30 dias, onde quem está nos andares superiores, pode ter sua situação mudada e, repentinamente, passar a habitar nos andares inferiores. Mas, mesmo com isso, não há neles um despertamento espontâneo da necessidade de se dividir. Apenas querem “aproveitar o momento”, enquanto tem, e enquanto podem, não se importando com os outros que dependerão da compreensão daqueles que estão no topo, para que lhes chegue algo para comer. Há várias mensagens contidas no filme, mas uma delas ocorre no meio do filme, onde aparece um homem, preocupado com um prato que voltou com um fio de cabelo dentro. O mesmo prato que aparece no final do filme. Dando a entender que eles (os que manipulavam aquela sociedade), estavam mais preocupados com o fato de não comerem um prato por causa de um fio de cabelo, do que a mensagem recebida através daquele prato que voltou. Não quero contar o filme e nem o seu final. Recomendo que assistam, parando e anotando as partes relevantes, para analisar e comparar com o que ocorre com nossa sociedade real. Assistam mais de uma vez, se possível. Depois me digam o que acharam.


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