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DITADURA AFUNDOU DENÚNCIAS DE CORRUPÇÃO NUM MAR DE MISTÉRIOS

  • Por: Benjamin Maia
  • 2 de jun. de 2018
  • 7 min de leitura

CASOS DE CORRUPÇÃO DURANTE A DITADURA MILITAR BRASILEIRA.

Um antigo ditado que quando alguém faz vista grossa para alguma situação, ou não faz nada para resolver um problema ou uma denúncia que recebe, está “VARRENDO A SUJEIRA PARA BAIXO DO TAPETE”.

Contrariando a tese de ALGUMAS PESSOAS que insistentemente afirmam não ter havido CORRUPÇÃO durante a DITADURA MILITAR(há até os que acham que nem houve DITADURA), o Governo do Reino Unido – na esteira das denúncias do Governo dos EUA – divulgou documentos confidenciais, revelando que a ditadura do Brasil, durante os governos Médici e Geisel, ATUARAM NO SENTIDO DE ABAFAR INVESTIGAÇÕES DE CORRUPÇÃO NA COMPRA DE FRAGATAS CONSTRUÍDAS PELO GOVERNO BRITÂNICO NOS ANOS 70.

Registros do ano de 1978 informam que a Inglaterra pediu autorização ao Governo brasileiro para investigar uma denúncia de SUPERFATURAMENTO na compra de equipamentos para construção de navios vendidos ao Brasil, e ainda ofereceu o pagamento de 500 Mil Libras Esterlinas (hoje equivalente a quase 3 milhões de Libras Esterlinas – R$ 15 Milhões).

O Governo brasileiro de então, agiu como FHC(que tinha em Geraldo Brindeiro seu Engavetador Geral da República – ou ‘varredor das sujeiras para baixo do tapete’). À época, dentre as várias denúncias, duas foram sobre a PETROBRÁS: uma do jornalista Paulo Francis, e outra de Ricardo Boechat, mas FHC ignorou-as.

O governo brasileiro da época ao invés de aceitar a colaboração da Inglaterra e ajudar na apuração dos fatos, que seria de interesse nacional, resolveu abrir mão tanto da colaboração britânica, como do próprio valor que eles se propuseram a pagar. Fato recebido com muita estranheza pelo governo inglês.

Em um dos documentos apurados e divulgados pela Folha de SP, a Inglaterra afirma que “Os brasileiros claramente desejaram manter o assunto de forma discreta”, diz um dos documentos. “É evidente que eles não gostariam que mandássemos um time de investigadores e não iriam colaborar com um, se ele fosse. O embaixador concluiu que o risco de sérias dificuldades com as autoridades brasileiras, o que poderia ser levantado por uma investigação, não deve ser assumido”, diz outro trecho dos despachos diplomáticos a que a Folha teve acesso.

“Há um mistério até hoje não resolvido, e só agora revelado. Por que, diante de uma investigação detalhada ao Brasil, o governo brasileiro resolveu não apenas impedir a vinda de autoridades britânicas, como não quis o dinheiro que tinha líquido e certo para receber?”, questiona o pesquisador brasileiro João Roberto Martins Filho, responsável pela descoberta dos documentos.”

Leia mais na reportagem da FOLHA DE SÃO PAULO com o título: Ditadura abafou apuração de corrupção dos anos 70, revelam documentos britânicos.

Os que vivem berrando por uma intervenção militar para que a MORALIDADE e os BONS COSTUMES do Brasil sejam restaurados, deveriam ler esta reportagem, para entender o que de fato ocorria naquele tempo. Podem até não acreditar na divulgação de documentos internos sobre o que aconteceu na ditadura, mas neste caso, são documentos estrangeiros (primeiro o dos EUA, agora da Inglaterra).

É claro que não se indignaram ou reverberaram quando foram divulgados os papéis do governo dos EUA, e certamente farão o mesmo com a divulgação destes documentos do governo britânico.

Fortunas incalculáveis foram desviadas do Estado brasileiro em toda sua História, desde o “achamento” do Brasil em 1500, começando com aquela famosa Carta de Caminha, como citado pelo filósofo Leandro Karnal – A CORRUPÇÃO NO BRASIL. O mesmo filósofo afirmou que a CORRUPÇÃO É UM MAL SOCIAL.

Houve enriquecimento ilícito dos partícipes da DITADURA no Brasil (tanto civis, quanto militares), mas algumas pessoas insistem em dizer que não, mesmo com fatos corroborando a afirmação de que houve (E MUITA) corrupção na DITADURA.

Há muita hipocrisia nestas afirmações, principalmente porque estamos vivendo em um momento muito delicado em nosso país que pode nos tornar novamente colônias de um Império que domina o mundo desde início do século XX: os EUA.

Afirmar que os males do Brasil hoje vêm dos atos praticados pelo governo anterior, como uma herança maldita, é não conhecer a História de nosso país.

Só tomando como base os últimos 50 anos da História do Brasil, o que vemos? O país realmente cresceu - e muito. Mas precisamos nos debruçar sobre os números para entende-los:

De fato, houve uma grande expansão do PIB entre os anos de 1968 e 1973(nosso PIB cresceu na casa de 10% aa, chegando a atingir 14% em 1973). Mas quais foram os fatores que levaram a este crescimento?

Vários fatores levaram a este crescimento, em especial a conjuntura mundial e o crédito fácil e barato que existia no mundo à época(o Banco Mundial enfiou BILHÕES DE DÓLARES GOELA ABAIXO NO BRASIL). Houve uma forte queda na inflação, medida na época pelo IGP(caiu de 25,5% para 15,6% no período).

O milagre veio regado de muito dinheiro internacional e de empréstimos que aterrissaram no país, encontrando no Brasil terreno fértil para sua expansão, sob tutela militar.

Mas se o crescimento foi excelente para os empresários, para os trabalhadores foi péssimo. Um dos pilares que os militares utilizaram para permitir um forte crescimento (enriquecimento dos empresários), foi a contenção de salários, alterando a fórmula anterior que previa o reajuste dos salários pela inflação anterior, acarretando assim perdas reais para os trabalhadores. A repressão militar contra sindicatos foi a medida utilizada para fazer valer uma atitude tão impopular, diminuindo assim o poder de negociação dos mesmos. Os militares se utilizaram até de intervenção em Sindicatos, com substituição de seus Dirigentes.

O país experimentou um grande crescimento, mas à CUSTA DO SANGUE E SUOR dos trabalhadores. Lembram daquela frase que dizia que “ERA PRECISO O BOLO CRESCER PARA ENTÃO DIVIDIR”? Pois é, o Brasil cresceu, mas o bolo nunca foi dividido. Os LUCROS SEMPRE FORAM PRIVATIZADOS, e os PREJUÍZOS SEMPRE FORAM SOCIALIZADOS.

Este crescimento desigual contribuiu para um desequilíbrio no desenvolvimento brasileiro.

Já tivemos aqui afirmações que o Brasil seria uma “JAIÇA”(expressão cunhada em 1985 pelo então Ministro Dilson Funaro, mas que se aplicaria bem àquela época do Milagre Econômico), teria o crescimento do JAPÃO, com a inflação da SUÍÇA. Mas na realidade, o país ficou mais para uma “BELÍNDIA”, “Seríamos uma pequena Bélgica (muito rica) cercada de uma Índia (muito pobre) por todos os lados.” Expressão cunhada por Edmar Bacha.

Os problemas e as desigualdades só aumentaram, assim como a ALTÍSSIMA CONCENTRAÇÃO DE RENDA, principalmente para aqueles que possuíam um maior grau de instrução. A desigualdade social chegou a níveis nunca alcançados em nosso país. Justamente porque apenas uma parcela pequena da população se beneficiava do bolo das riquezas em nosso país, em detrimento da maioria da população que tinha pouca instrução e não era beneficiada por nenhuma política governamental.

O crescimento alto do PIB não foi acompanhado por melhoria dos indicadores sociais. Portanto, aquela frase de que ERA PRECISO CRESCER PARA DEPOIS DIVIDIR O BOLO, NUNCA FOI APLICADA.

Na década de 70 ainda tivemos duas crises mundiais do petróleo. Uma em 1973, e outra em 1979, e o Brasil, por depender quase que totalmente, do petróleo importado, foi um dos países atingidos por estes dois momentos. O choque do petróleo por parte da OPEP, derrubou a oferta de petróleo no mundo entre 1973 e 1974, quadruplicando o valor do barril de petróleo. A crise de 1973 fez ruir por terra o crescimento baseado em ALTO ENDIVIDAMENTO EXTERNO.

Outro agravante foi a existência de Salários Mínimos regionais no Brasil, o que levou muita pessoas a se decidir por migrar para as regiões Sul e Sudeste, onde havia melhor pagamento do salário, o que levou ao inchaço de muitas cidades e consequente aumento de favelização e violência.

A “HERANÇA MALDITA” e a conta do crescimento desenfreado, baseado em um ALTO GRAU DE ENDIVIDAMENTO, ficou para os governos que vieram depois dos militares. Ao deixarem o Poder, a dívida representava 54% do PIB, quatro vezes maior do que eles pegaram em 1964, que era de 15,7% do PIB. Graças a este endividamento, a inflação perdeu o controle (chegou a ser de 225% em 1985 e 1.782% em 1989. A década de 80 ficou conhecida como A DÉCADA PERDIDA. – FONTE EL PAÍS – O lado obscuro do ‘milagre econômico’ da ditadura: o boom da desigualdade.

“Embora o regime tenha aparelhado muito bem grande parte do nosso parque industrial, melhorado em aspectos técnicos e tecnológicos a infraestrutura, quando veio a conta, a conta veio muito alta”, explica Guilherme Grandi, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP (FEA/USP)”. - Fonte: TRECHO DO ELPAÍS.

OS MILITARES E A CORRUPÇÃO

“Outra percepção recorrente é a de que no período da ditadura não havia corrupção. “Vários estudos já comprovaram que existia corrupção e era mais fácil que esses malfeitos ocorressem porque não havia investigação”, ressalta Grandi. Segundo ele, a relação promíscua entre interesses privados e órgãos públicos foi aprimorada nesse período.” Fonte: TRECHO DO ELPAÍS.

Pedreira Campos é autor do livro Estranhas Catedrais: as empreiteiras brasileiras e a ditadura civil-militar, 1964-1988 que analisa mais profundamente essa relação. “Houve vários casos de corrupção na ditadura, principalmente no período da abertura envolvendo agentes do estado que foram acusados de se apropriar de recursos públicos”. Fonte: TRECHO DO ELPAÍS.

“A ausência de notícias sobre corrupção no período tem também outra explicação. O Brasil viveu sob um regime de censura que foi estabelecida nos meios de comunicação que estavam orientados a publicar notícias que fossem favoráveis ao governo. E é por conta dessa propensão a maquiar a realidade que notícias denunciando escândalos de corrupção não estampavam a manchete dos jornais. “Um cenário como esse é ideal para a prática da corrupção, os indícios indicam que havia mais corrupção naquele período”, completa Pedreira Campos.” – Fonte: TRECHO DO ELPAÍS.


 
 
 

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