Qual é o preço da “carne negra”?
- Por: Benjamin Maia
- 20 de mar. de 2018
- 3 min de leitura
“A carne mais barata do mercado é a carne negra” – Elza Soares
Por que Marielle morreu? Por que era negra? Por que era pobre?
Talvez a pergunta correta a ser feita seria POR QUEM Marielle morreu?
Marielle não morreu porque era negra, ou porque era pobre. Marielle morreu porque lutava, porque buscava conscientizar não apenas as minorias, mas as maiorias que são pobres e oprimidas em nosso país desde que foi “achado” por Pedro Álvares Cabral. Numa visão eurocêntrica, alguns teimam em dizer que o Brasil foi “descoberto”, e ainda inventaram a famosa mentira de que eles estavam procurando o Caminho para as Índias, então houve uma calmaria...
E de mentira em mentira foi-se construindo a História do Brasil.
Um país que sempre foi dominado por forças que olhavam nosso país de costas, tanto de dentro para fora, como de fora para dentro. Há quem diga que os navegadores aportaram no Brasil, naquele 22 de Abril de 1500 de costas, já visando voltar logo para Portugal.
Essa luta que é inglória para quem a trava, geralmente custa àquele que insiste em leva-la adiante um ônus muito grande. Primeiro tentam não dar voz. Quando sua voz começa a retumbar, tentam calá-la. Quando não conseguem calar sua voz, tentam ASSASSINÁ-LA. Tivemos algumas vozes em nosso país, ao longo de sua História, que foram CALADAS, como por exemplo, a voz de TIRADENTES. Calaram num CADAFALSO, mas sua voz ecoa até hoje.
Ultimamente o Sistema Opressor tem se utilizado de estratagemas e sutilezas pouco sutis para calar a voz de quem luta por essa minoria, mas que na verdade é maioria, através de um PROCESSO DE DESCONSTRUÇÃO DE SUA IMAGEM – como tem ocorrido com LULA desde que ele começou sua vida política, e desde que sua voz começou a RETUMBAR.
Mas com Marielle, deu-se logo um gesto extremo: calaram sua voz quando ainda estava começando a RETUMBAR. Não sei se foi um gesto precipitado de seus algozes, ou uma nova maneira de tentar eliminar opositores a um eventual novo REGIME ainda incipiente em nosso país. Mas, não calaram as REDES SOCIAIS. Não calaram o tom RETUMBANTE que um gesto deste está proporcionando, e vem GRITANDO ALTO nas REDES SOCIAIS, no Brasil e no MUNDO.
O GRITO DOS EXCLUÍDOS tem sofrido CONTRA ATAQUES, também nas REDES SOCIAIS, daqueles que sempre se incomodaram com as LUTAS SOCIAIS travadas por aqueles que querem uma SOCIEDADE JUSTA e IGUALITÁRIA. Por isso o Sistema tem reagido através destas pessoas que têm replicado informações falsas, denegrindo a imagem de Marielle, tentando desconstruí-la.
Qualquer semelhança com o que sempre fizeram com LULA, não é mera coincidência.
O Sistema é tão sujo, que resolveu até “homenagear Marielle”, e dar uma cobertura maior ao fato, para tentar “limpar um pouco a sua barra”, pois as pessoas já se cansaram destes “ASSASSINATOS DE REPUTAÇÃO” travados em uma guerra midiática cirurgicamente travada.
Tentaram minimizar o fato, alegando que diariamente morrem pessoas comuns, ou pessoas com formação superior, como médicos, engenheiros, professores, vítimas de uma violência que recrudesce em nossa sociedade. Mas estas mesmas pessoas nunca saíram em defesa das pessoas que morrem vítimas de balas perdidas, ou vítimas de uma violência do Estado. Dentro dos guetos a que são relegados, ou nas filas de hospitais, por omissão das autoridades, por falta de oportunidades que aqueles outros têm, por possuírem mais recursos. Por estas pessoas que nascem, vivem e morrem carentes, estas outras não LUTAM ou não dão visibilidade. Só o fazem de forma genérica.
Termino aqui com trechos da música “A CARNE”, lançada em 2007, de Elza Soares(que a Globo ousou usar nesta homenagem à Marielle), mas que no fundo sempre relega ao ostracismo, nunca dando visibilidade a negros e pardos, ou mesmo a pobres. Pois no fundo a GLOBO sempre foi contra tudo que Marielle defendia. Veja no vídeo:
“A carne mais barata do mercado é a carne negra...”
“...Mas mesmo assim
Ainda guardo o direito
De algum antepassado da cor
Brigar sutilmente por respeito
Brigar bravamente por respeito
Brigar por justiça e por respeito
De algum antepassado da cor
Brigar, brigar, brigar”


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